O poder de uma folha de papel contra um Império: “Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch”

Já pensaste no impacto que um único dia pode ter na tua vida?

Muitas vezes, a literatura tenta abraçar destinos grandiosos, sagas familiares de décadas ou guerras mundiais inteiras. Mas, em 1962, o escritor russo Aleksandr Soljenítsin fez precisamente o oposto. Decidiu contar a história de um dos períodos mais negros da humanidade focando-se em apenas 24 horas.

O livro da semana na nossa Biblioteca é “Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch”, uma obra-prima curta no tamanho (cerca de 150 páginas), mas monumental no impacto.

A história acompanha Ivan Deníssovitch Chukhov, um soldado comum que, após escapar dos alemães na Segunda Guerra Mundial, é injustamente acusado de espionagem pelo próprio regime soviético de Estaline. O seu castigo? Dez anos num Gulag na Sibéria.

O livro não se foca em grandes discursos políticos. Foca-se no detalhe: o casaco remendado, a técnica para esconder um pedaço de pão no colchão, o orgulho quase absurdo em assentar tijolos direitos mesmo quando se trabalha sob um frio de rachar. Soljenítsin mostra-nos como, nas condições mais desumanas possíveis, o ser humano luta para manter a sua dignidade e sanidade.

Quem foi Aleksandr Soljenítsin?

O realismo do livro não é fruto do acaso. O autor foi ele próprio um prisioneiro destes campos durante oito anos. Quando a obra foi publicada, na década de 60, quebrou décadas de silêncio e censura na União Soviética. Foi a primeira vez que o mundo leu a verdade sobre os campos de trabalho forçado. Anos mais tarde, em 1970, Soljenítsin receberia o Prémio Nobel da Literatura pela sua coragem moral.

“Chukhov adormeceu plenamente satisfeito. Teve muita sorte naquele dia (…). Passara um dia sem nuvens, quase feliz. Havia três mil seiscentos e cinquenta e três dias assim na sua pena, do princípio ao fim…”

Ficaste curioso? O Ivan espera por ti numa das prateleiras da nossa Biblioteca. Passa por cá e requisita o teu exemplar!

A equipa da biblioteca

SIMBIOSE ARTÍSTICA – O OLHAR QUE PENSA

Em colaboração com o Clube das Artes e a Biblioteca, a turma do 11.º D, no dia 12 de maio, no âmbito da disciplina de Filosofia, criou uma obra artística coletiva — um quadríptico em aguarela — que representou a relação entre o ser humano e o planeta, promovendo a reflexão sobre o problema da sustentabilidade e os caminhos possíveis para o futuro.

A obra não se reduziu ao simples ato técnico de “pintar”; constituiu, antes, um processo de pensamento concretizado visualmente, no qual a forma, a cor e a composição funcionaram como elementos cognitivos e expressivos. Cada pincelada procurou traduzir ideias, inquietações e possibilidades, transformando a arte num espaço de questionamento e consciência.

Que mundo temos?
Que mundo estamos a construir?
Que mundo queremos?

Estas perguntas orientaram o olhar e o gesto criador dos alunos, convidando à contemplação crítica da realidade contemporânea e à imaginação de futuros mais equilibrados, humanos e sustentáveis.

No final, os quatro painéis articularam-se entre si, formando uma única imagem com unidade e sentido, em vez de quatro pinturas isoladas. O resultado foi uma obra coletiva onde diferentes visões convergiram numa reflexão comum: pensar o planeta, pensar o ser humano e pensar o futuro através da arte.

A Festa da Leitura: Final do ConcIL 2026

A comunidade escolar está em festa! Chegou ao fim a Fase Final do Concurso Interconcelhio de Leitura (ConcIL) 2026, uma iniciativa que congrega os alunos vencedores selecionados nos seis municípios participantes.

A prova escrita realizou-se no passado dia 14 de maio. Em formato online e em simultâneo nas bibliotecas escolares dos diferentes concelhos participantes, esta prova serviu para apurar os grandes finalistas para a prova de palco.

No Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior, fomos orgulhosamente representados por dois leitores de mão cheia que superaram o desafio escrito com distinção:

1.º Ciclo: Sebastião Barbosa Gonçalves (4.º A – EB Espadanal)

Ensino Secundário: Maria Costa (11.º E)

No dia 15 de maio, os corações batiam mais depressa. A prova oral de palco contou com a participação dos 24 finalistas apurados na eliminatória escrita. Perante o público e o júri, os alunos demonstraram uma enorme maturidade, capacidade de comunicação e, acima de tudo, paixão pelos livros.

Os resultados não podiam deixar-nos mais orgulhosos:

A aluna Maria Costa conquistou um fantástico 2.º lugar!

O aluno Sebastião Gonçalves alcançou um excelente 4.º lugar!

A Biblioteca Escolar deixa um agradecimento profundamente institucional, mas cheio de afeto, a todos os alunos. O vosso empenho, entusiasmo e dedicação demonstrados ao longo de todas as etapas do concurso são o verdadeiro prémio. Parabéns por elevarem o nome da nossa escola e por nos mostrarem que a leitura continua viva e cheia de força! Muitos parabéns aos dois! Continuem a viajar pelo mundo dos livros!

Veja o vídeo da prestação dos alunos aqui.

A equipa da biblioteca

Livro da Semana: “Bicicleta à Chuva” – Quando o Medo Encontra a Coragem

Esta semana, a nossa Biblioteca destaca uma obra que é um verdadeiro murro no estômago, mas também um abraço de esperança. “Bicicleta à Chuva”, de Margarida Fonseca Santos, faz parte da coleção “A Escolha é Minha” e é a nossa recomendação de leitura para todos os que acreditam que as palavras têm o poder de mudar o mundo.

A História: Entre o Desenho e o Medo

O Jaime é um rapaz como tantos outros, mas carrega um fardo que ninguém deveria carregar: o medo de ir para a escola. Alvo do grupo “Os Alcaides”, liderado pelo implacável Valdomiro, o Jaime vive num isolamento provocado pelo bullying e pelo silêncio.

Tudo começa a mudar num dia cinzento, quando o Jaime se detém sob a chuva para desenhar uma bicicleta velha encostada a um muro. O que ele não sabia é que esse esboço seria o primeiro passo para sair da sombra. Através da amizade inesperada com o Sr. Joaquim, o dono da bicicleta, o Jaime descobre que o seu talento para a arte pode ser a chave para encontrar a sua própria voz.

Não escolhemos este livro ao acaso. Queremos que ele seja um ponto de partida para conversas importantes na nossa escola:

  • A Coragem de Falar: O livro aborda a importância de quebrar o ciclo do silêncio e de procurar apoio em adultos de confiança.
  • Compreender o “Outro”: Uma das grandes qualidades da escrita de Margarida Fonseca Santos é dar-nos a perspetiva do agressor. Percebemos que, muitas vezes, quem magoa também está magoado, o que nos convida a uma reflexão profunda sobre empatia e o contexto de cada um.
  • A Arte como Salvação: A paixão do Jaime pelo desenho mostra-nos como encontrar algo que amamos nos pode tornar mais fortes perante as dificuldades.

Margarida Fonseca Santos é uma das mais queridas autoras portuguesas de literatura infantojuvenil. Com uma sensibilidade única para temas sociais e psicológicos, as suas histórias nunca nos dão respostas prontas, mas sim perguntas que nos fazem crescer. É também uma grande dinamizadora de escrita criativa, acreditando sempre que todos temos uma história para contar.

“O medo é uma sombra que cresce no escuro, mas a amizade e a arte são luzes que a fazem recuar.”

Já leste este livro? Passa pela Biblioteca e requisita o teu exemplar!

Disponível para requisição na nossa Biblioteca.

A equipa da biblioteca

Narrativas Gráficas / Marcar a leitura: Quando a Leitura se Transforma em Arte

A biblioteca escolar é, cada vez mais, um espaço vivo de criação, partilha e descoberta. Foi precisamente esse espírito que marcou a recente mostra de trabalhos promovida pela Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior, onde os alunos do 1.º, 2.º e 3.º ciclos deram asas à sua imaginação no âmbito da atividade “Narrativas Gráficas / Marcar a Leitura”.

Este ano, a iniciativa ganha ainda maior dimensão, ao tornar-se itinerante, percorrendo os três agrupamentos de escolas da cidade. Desta forma, os trabalhos dos alunos não só são valorizados dentro da sua comunidade escolar, como também partilhados com um público mais alargado, promovendo a troca de experiências e o reconhecimento do talento jovem.

A exposição encontra-se atualmente patente na biblioteca da Escola Oliveira Júnior, onde poderá ser visitada até sexta-feira, dia 8 de maio.

Esta iniciativa destacou-se pela forma como conseguiu cruzar diferentes áreas de aprendizagem, incentivando não só a leitura e a escrita, mas também o desenho e a expressão criativa. O resultado é uma exposição rica e diversificada, composta por histórias originais em banda desenhada, criadas com total liberdade pelos alunos.

Ao percorrer a mostra, é possível observar universos muito distintos: desde aventuras cheias de ação a narrativas mais intimistas, passando por histórias de humor e fantasia. Cada trabalho reflete não apenas a criatividade individual de cada aluno, mas também o desenvolvimento de competências essenciais, como a capacidade de comunicar ideias, estruturar narrativas e explorar linguagens visuais.

Mais do que uma simples exposição, esta atividade revela-se um espaço de valorização do talento dos alunos e de incentivo à expressão pessoal. Ao integrar diferentes áreas multidisciplinares, “Narrativas Gráficas / Marcar a Leitura” demonstra como a aprendizagem pode ser envolvente, significativa e, acima de tudo, criativa.

Veja todas as narrativas aqui.

A biblioteca escolar reforça, assim, o seu papel enquanto centro dinamizador de projetos que inspiram, motivam e dão voz aos alunos, mostrando que ler e criar podem caminhar lado a lado.

A equipa da biblioteca